Todo o processo de um vinho de altíssima qualidade tem seu próprio savoir faire, que exige de seu produtor muito trabalho, tempo e investimento. A produção de verdadeiros vinhos de terroir se contrapõe ao conceito da grande indústria, que produz em grande escala e baixo custo, em detrimento da qualidade do produto final.

O programa da VIND’AME é formado apenas por vinícolas que trabalhem com os seguintes critérios:
1) AMBIENTALMENTE RESPONSÁVEIS: dedicam-se durante todo o ano ao vinhedo e têm respeito pela natureza, evitando o uso de produtos químicos, tais como fertilizantes químicos, herbicidas, pesticidas e fungicidas. Estes produtos, usados em larga escala na produção dos “vinhos de massa” pela grande indústria, são absorvidos pelas videiras e alteram o sabor do vinho, além de serem nocivos ao meio ambiente e à saúde do consumidor (causando males imediatos como dor de cabeça ou estômago, queimação nas mucosas, além dos males mediatos à saúde). Vários de nossos viticultores são certificados como biológicos ou biodinâmicos. Outros praticam a agricultura biológica, ainda que não certificados (os países europeus exigem alguns anos de prática de agricultura biológica antes de conceder a certificação). Todos produzem vinhos ecológicos com processos sustentáveis.
Para a obtenção de uvas perfeitas sem o uso de “defensivos agrícolas”, faz-se necessário acompanhamento permanente e meticuloso dos vinhedos. Nossos produtores usam adubos orgânicos. O uso de herbicida não se faz necessário, pois a terra entre as videiras é constantemente movimentada ou se utiliza da poda mecânica. Fungicidas tóxicos também não são precisos com a vigilância permante e extração de eventuais folhas e frutos atingidos. O controle direto dos vinhedos é, portanto, fator essencial para o vinho de alta qualidade.
A grande indústria não tem fôlego para o cuidado meticuloso de vinhedos próprios. Então compra uvas de terceiros, os quais, remunerados por tonelada colhida, abusam do uso de agrotóxicos, não fazem “poda verde” e conduzem suas videiras de modo a garantir a maior produção, em detrimento da qualidade do fruto.



2) COLHEITA MANUAL: a colheita manual e em pequenas caixas é essencial para que as uvas permaneçam intactas até o início da vinificação. Pessoal bem treinado na colheita seleciona no próprio vinhedo as melhores uvas, descartando os frutos inadequados. Na vinícola, as uvas passam frequentemente por novo controle de qualidade, e só as frutas saudáveis serão utilizadas na vinificação.
Corretores de defeitos utilizados pela grande indústria permitem que se disfarce defeitos do vinho ocorridos pela fermentação e oxidação precoce das uvas, decorrentes da colheita mecânica, que rompe os frutos ainda nos vinhedos.

3) VINIFICAÇÃO MINIMALISTA e pouco intervencionista, com o objetivo de produzir um vinho que reflita o terroir de origem: A ênfase do trabalho para um vinho autêntico de terroir é dada no cultivo da fruta, e não no processo de vinificação. A ótima qualidade do fruto permite a perfeita expressão da uva e de seu terroir, sem malabarismos na vinícola. O viticultor praticamente assiste a vinificação, sem recorrer a aditivos artificiais. Desse modo, o vinho tem plenas condições de se expressar em sua plenitude e carregar à taça toda a riqueza de seu território e casta. Muitos vinhos de nossos produtores são engarrafados sem clarificação, dando-se apenas tempo para o vinho repousar. A filtração é mínima ou inexistente, sem perda de aromas.
Com boas uvas, não se faz necessário o uso de produtos químicos para “corrigir” o vinho, tais como taninos em pó (para conferir tanicidade a uvas de baixa qualidade), espessantes (para criar artificialmente a sensação de vinho macio ou redondo), correção de açúcar e acidez do mosto (para recuperar vinhos azedados). O fruto de qualidade, naturalmente rico em aromas, dispensa aromas artificialmente adicionados pela junção de chips ou pó de madeira e leveduras artificiais.
Nossos produtores utilizam-se, como em qualquer produção de vinho biológico, biodinâmico ou mesmo natural, de sulfito, usado há séculos para a conservação do vinho. Mas a adição é a mínima necessária, no final da produção. Nossas vinícolas, adeptos à filosofia “ slowwine”, não adicionam sulfitos no início da produção. Nos “vinhos de massa”, a fim de garantir um sabor idêntico ao vinho a cada ano, adiciona-se sulfito também no início da produção, aniquilando-se as leveduras indígenas, de modo que o enólogo, com uso de leveduras artificiais, confira sabores sabores estandartizados e procurados pelo grande público a seus produtos. É importante atentar para produtos com alta concentração de sulfitos, pois em grande quantidade pode causar dor de cabeça à pessoas alérgicas.

4) PRODUÇÃO EM BAIXA ESCALA: Os vinhos que selecionamos são produzidos em quantidades administráveis diretamente pelo seu viticultor ou enólogo, o qual privilegia a qualidade das uvas nos vinhedos, resultando em baixa quantidade de produção por hectare. Respeitando a diversidade de terroir e produzindo vários crus (single vinyard), o número de garrafas por rótulo é bastante baixo. A maioria dos nossos rótulos tem produção bem inferior a 10.000 garrafas por safra, das quais apenas uma pequena fração é destinada ao mercado brasileiro. São uvas tratadas como verdadeiras pedras preciosas, as quais, devidamente lapidadas pelo viticultor, resultarão num produto ecológico exclusivo, de altíssima qualidade.

5) CONECTADOS AO TERROIR DE ORIGEM:
A arte de vinificar é integrada ao território de origem. Nossos viticultores privilegiam uvas autóctones e usam os frutos de seus próprios vinhedos. Em raros casos, para vinhos de entrada, administram diretamente o cultivo de vinhedos que os circundam. Na maioria dos vinhos a fermentação se dá exclusivamente pelas leveduras naturais, ou indígenas, existentes no vinhedo, nas cascas das uvas e no próprio ambiente da vinícola. Se preciso, leveduras de mesma espécie serão eventualmente utilizadas apenas para iniciar a fermentação, mas nunca para alterar o sabor do vinho. Os métodos de produção respeitam as tradições locais, aperfeiçoada ao longo de centenas de anos e tidas como melhores para as castas originárias de seus territórios, seguindo princípios sustentáveis.
Este modo de produção ecológica resulta em uma gama de sabores e aromas riquíssima, sendo cada garrafa uma verdadeira descoberta. Este caminho é oposto ao da grande indústria, a qual procura sabores estandardizados, “fáceis de beber”, reconhecíveis pelo consumidor e de grande aceitação no grande mercado, sem qualquer surpresa, profundidade ou riqueza de variedade.